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FENDEL
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BIOENERGIAS
"A
queima das bioenergias devolve menos carbono ao ar do que o absorvido
pelas plantas, resultando no "efeito geladeira", oposto do "efeito
estufa" originado pelo uso dos porcos e agonizantes combustíveis
fósseis".
Caros amantes da vida:
Tive a grata satisfação de ser selecionado pela www.InWEnt.org.br a participar junto com mais 20 brasileiros especializados, de uma viagem pelo norte alemão, em meados de Abril, a fim de trocar experiências sobre nossas fantásticas bioenergias. Foram 14 dias de intensa e interessante programação. Vimos o que devemos, e também o que não podemos fazer. Claro que cada um tem sua própria opinião, e aqui manifesto apenas as minhas conclusões particulares, sobre parte dos vários e significantes encontros promovidos. Considero o Biodiesel apenas parte da transição entre a era fóssil e a era da vida. O grande mérito desta extraordinária expedição, foi juntar pessoas intercontinentais de renomadas instituições para a troca das urgentes idéias e ideais bioenergéticos. Fui agraciado extraoficialmente com a função suplementar de tradutor, o que me possibilitou apimentar os diálogos com pareceres pessoais. Sei que sou um tanto radical, mas como intenciono o desabobalhamento humanitário, penso que dei o melhor de mim, tornando as traduções alegres, compreensivas, reais e firmes. Confesso que não me apego a nomes e títulos científicos, mas sim aos conceitos e às nuanças envolvidas. Já na apresentação do grupo, reinou um clima de companheirismo, onde reencontrei o Expressinho, que foi meu calouro na FEG, e que me reconheceu quando mencionei meu lendário Dodge Dart a gasogênio, da época de estudante. A feira de Hannover, foi para mim, um frustrante fracasso. Na área dos combustíveis só tinha o bobo hidrogênio e as bestas células combustíveis. Bobo e bestas porque insustentáveis, sujos, mentirosos, caros, fantasiosos, irreais, cafajestes, escravizantes, etc. Infelizmente não consegui apresentar meus dois discursos: Bioenergias e Enernet, nem no Forum e nem durante a Expedição. Uma das visitas foi a um parque eólico com 5 cataventos de médio porte (parece-me que cada um era de 750 kW, - hoje já se fabricam máquinas de 5 MW cada, e num futuro próximo eles terão mais do que 3 pás...), onde o feliz proprietário se vangloriou de ter conseguido empréstimos a juros baixos, sem praticamente ter colocado dinheiro particular no sistema, e que após 7 anos, iria começar a usufruir os vultosos lucros do empreendimento. Essa realidade me remeteu ao nosso Proinfa, que considero pífio e medíocre. Urge aqui uma legislação firme e coerente no setor de energias, (que poderia ter traços da legislação alemã) para evitar apadrinhamentos, peleguismos e desperdícios. Durante a produtiva viagem, formulamos a Lei "Zero" da Biotermodinâmica, - "A lei da vaca". Esse fato ocorreu durante a reunião no Ministério Estadual do Meio Ambiente de Nordrhein-Westfalen, onde a Sra. Ministra concordou comigo, de que o carbono liberado futuramente, pela torta (resíduo da prensagem) de canola, tem que ser creditado à vaca que come a torta, e não ao óleo vegetal, resultando que as emissões de CO2 das bioenergias são menores que as respectivas absorções, provocando o contrário do efeito estufa, ou seja, o efeito geladeira. Insisto neste tema, pois trata-se de uma revolução conceitual. Até agora, mundialmente, as bioenergias são consideradas neutras em termos de gás carbônico. Acontece que a longo prazo, realmente tudo é neutro, inclusive a queima dos sujos fósseis. A importância desta lei da vaca é de ordem imediata, para reverter as mentiras veiculadas pelas mídias e pseudo-especialistas, que dizem, entre outras besteiras e heresias, ser o hidrogênio limpo, conquanto analisam apenas partes das emissões, e "esquecem" todo o processo imundo, caro e inviável de produção, armazenagem e uso de H2. Uma vez entendida e divulgada esta lei fundamental, nenhum ser conciente quererá queimar fósseis, e as ignoradas bioenergias alcançarão seu devido lugar de destaque em nossa civilização, revertendo o suicídio ambiental, e promovendo o progresso sustentável. Compreender esta lei, trará benefícios muito maiores e instantâneos do que o famigerado MDL com seu hipócrita mercado de carbono, que apenas resulta em imorais gorgetas do tipo "cale a boca" e vassalos diplomas de "amigos limpos" aos porcos, além de promover o continuismo, desenterrando carbono fóssil e lançando-o na atmosfera. Negociatar carbono virtual a preços inferiores ao carbono real, é igual a um tiro pela culatra, proposital. Também nesta ocasião, através da intervenção indignada do Bamby, deixamos claro que o dendê não é nenhuma "praga" como haviam insinuado, mas sim uma cultura mista agroflorestal, bem diferente e muito mais ecológica do que a monocultura européia da canola. Paradoxalmente, os carros estacionados nas repartições de "meio ambiente" alemão, eram os maiores e sofisticados beberrões... Um dos destaques apresentados num centro de pesquisas, foi o programa alemão dos 100 tratores a óleo vegetal, dos quais 20 e tantos ainda funcionam sem maiores problemas. Este resultado, à primeira vista desalentador, é um ótimo resultado científico, comprovando que em condições corretas de uso, o óleo vegetal bruto é um barato e eficiente combustível. Neste centro tecnológico também fomos agraciados com os resultados de estudos das misturas de óleo vegetal com Diesel fóssil. Ou seja, pode-se fazer OV30, ou seja adicionar até 30% de óleo vegetal prensado e filtrado a frio, ao Diesel comum, sem problemas nos motores convencionais, e com uma melhor lubricidade de seus componentes. Outra visita simpática foi a um patologista que se tornou adepto do óleo vegetal combustível. Lá vimos uma pequena prensa para obter óleos vegetais frios, e um interessante e simples sistema de decantação em cascata, para purificar o óleo, que pode asssim ser vendido inclusive como alimentar. Na CUTEC - Um centro de tecnologia alemão, vimos de perto a nova onda dos grandes fabricantes de automóveis, que é a liqüefação de biomassa gaseificada. Trata-se de uma parafernália que tem como objetivo produzir biocombustíveis líquidos a partir de resíduos biológicos. A estimativa dos palestrantes, é de que em 20 anos esta nova moda atinja a maturidade. Para mim, está se querendo imitar a espetacular natureza, mal e porcamente, natureza que faz isso de graça com seus incansáveis micróbios (álcool, biogás) e em suas geniais sementes (óleos vegetais)... Este laboratório, é um bom parceiro para desenvolvermos oxi-catalizadores-filtrantes para combater a nova panacéia européia, a emissão de micro-partículas. Aliás os óleos vegetais emitem muito menos partículas do que o Diesel fóssil, além de não conterem nocivos enxôfre e metais pesados. Estes catalizadores queimam inclusive a acroleína, uma febre brasileira... Na DEUTZ - Fabricante dos renomados motores Volvo-Penta, por onde passaram todos os grandes inventores de motores, como Otto, Diesel, Daimler, Benz, etc, escutamos a hilariante afirmação de seu vice-presidente: "Os combustíveis têm que se adaptar a nossos motores". Isso para mim, foi uma piada ardida, que tive que traduzir com asco. Na realidade, são os motores que devem ser adaptados aos biocombustíveis, que a saborosa teta, chamada natureza, nos fornece aos montes (me parece que seria burrice transformar álcool em gasolina...). Aliás nossos endeusados motores Flex são beberronas fachadas políticas, oriundos da falta de pulso firme legislativo, em detrimento de nosso cobiçado álcool, pois modernos motores exclusivos a álcool, seriam mais eficientes. Em outra ocasião foi mencionado que o biogás poderá ser injetado nas canalizações de distribuição do fóssil e sujo Gás Natural. Vimos também como é simples injetar EE na rede pública, com um cogerador a óleo vegetal, que produz vapor e água quente para um hospital, desde é claro, que seja permitida tal ligação e que as concessionárias sejam obrigadas a comprar esta energia. Assim, o rendimento desta pequena máquina pode chegar em 90%, 3 vezes superior ao rendimento das velhas, gigantescas e porcas termoelétricas, de apenas 30% . Felizmente o programa brasileiro de ineficientes termoelétricas parece estar morto. E que assim permaneça. Amém. No Parlamento Alemão em Berlin, informamos ao deputado Fell que os trópicos podem suprir todas as necessidades mundiais de bioenergias, em substituição aos agonizantes fósseis, segundo dados do físico nuclear professor Dr. Bautista Vidal, o pai de nosso invejado e desprezado Proálcool, lembrando ainda que no Brasil, um pinus cresce 20 vezes mais rápido do que na Finlândia. Para tal é necessário eliminar: politicagens, subsídios, barreiras alfandegárias e agrícolas dos países ditos de primeiro mundo, e trocar o desperdício pela eficiência. Sob minha modesta ótica, o ponto alto da expedição foi em http://www.mueritz-biomassehof.de onde o anfitrião além de nos brindar com um suculento Javali, nos mostrou sua fazenda totalmente tocada a óleo de canola: tratores, carros, energias, etc. Já em sua primeira frase, este simpático alemão afirmou que são os Alemães que têm que aprender com os Brasileiros, se referindo ao nosso lendário e boicotado Proálcool. Durante a viagem ainda consegui rever parte de minha família, e velhos amigos; além de conhecer pessoalmente dois amigos virtuais bioenergéticos, com interessantes conceitos. O saldo da viagem foi muito positivo, e agradeço cordialmente aos organizadores e participantes o empenho e a dedicação envolvidas. Assim, cabe a nós imitarmos a bela natureza, transformando esta semente das bioenergias numa frondosa floresta perene. Neste aspecto a Alemanha pode nos mostrar como devem ser formuladas as leis. Devemos trocar figurinhas, afinal é um desperdício reinventar a roda redonda, ou quiçá a quadrada. Fortes bioabraços carbono sequestrantes
Eng. Thomas
Renatus Fendel |