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Descrição do
PROJETO DE DESENVOLVIMENTO DOS ÓLEOS VEGETAIS
COMO COMBUSTÍVEL MOTOR

O motor a explosão por compressão, mais conhecido como motor Diesel, tem a característica de poder utilizar combustíveis densos, ou seja, quaisquer hidrocarbonetos (óleos) de cadeias carbônicas longas.
Estes motores, devidamente preparados, queimam inclusive graxas e gorduras vegetais ou animais, como foi demonstrado em 1897 pelo alemão Rudolf Diesel, que utilizou óleo de amendoim em seu pioneiro motor, e afirmava naquela época: “Os paises que utilizarem óleos vegetais com meu motor, obterão desenvolvimento sustentável”.

Frente ao Biodiesel, todos os óleos vegetais brutos e filtrados tem a enorme vantagem de serem mais baratos e de muito simples obtenção, pois basta espremer qualquer semente para obtê-lo.
Adaptar motores Diesel para óleos vegetais, é mais fácil do que adaptar motores a gasolina para álcool. Para tal é necessário apenas elevar a pulverização dos óleos e a temperatura de combustão, como demonstram os mais de 30.000 veículos que rodam a óleo de canola, na Alemanha.
Assim, evita-se o oneroso e complicado processo de transesterificação para fazer o biodiesel, da mesma forma que é inviável produzir biogasolina a partir do álcool, pois é muito mais racional produzir motores a álcool.

Os motores a óleos vegetais têm de ser modificados e desenvolvidos para se obter o máximo de desempenho, durabilidade e economia.
Os óleos vegetais são muito melhores lubrificantes do que o Diesel fóssil, que necessita a adição do poluente enxofre, totalmente dispensável e inexistente nos óleos vegetais, possibilitando a instalação de oxi-catalisadores nos tubos de descarga dos motores a óleo vegetal, tal qual é obrigatório nos demais motores, e dispensado nos sujos motores diesel, pela necessidade de lubricidade do enxofre. Enxofre que danifica as cerâmicas dos reatores catalíticos.

A utilização destes pós-queimadores automáticos (catalisadores) possibilita inclusive a queima da acroleína e demais produtos orgânicos que não tiveram tempo suficiente para a combustão completa durante o ciclo da expansão motora, e assim reduzem em até 90% algumas emissões.
Os óleos vegetais não agridem o meio ambiente, caso ocorra algum vazamento, tal qual o biodiesel, e são mais seguros, pois não queimam e nem explodem a temperatura ambiente.
Para a fase inicial de transição entre a era fóssil e a era da vida, de utilização das bioenergias, pode-se adicionar até 30% de óleo vegetal bruto e filtrado ao Diesel fóssil, para uso em qualquer motor diesel, sem modificação nenhuma e sem problemas de funcionamento, de estocagem e de abastecimento, possibilitando eliminar o poluente enxofre e exigir a instalação dos oxi-catalisadores, em todos os motores nacionais, imediatamente.

A fotossíntese, através da graciosa e infinita energia solar, transforma a poluição atmosférica CO2 em vegetais, liberando oxigênio ao ar, resultando que quanto mais vegetais forem plantados, mais limpo fica nosso ar que respiramos.
As bioenergias são carbono seqüestrantes, pois seu uso impõe o plantio dos respectivos vegetais, e sempre se devolve menos carbono à atmosfera do que o carbono absorvido pela plantas, sempre, devido a fixação do carbono nos produtos orgânicos não utilizados, como por exemplo, raízes, húmus, etc. Assim as bioenergias como álcool, óleos vegetais, biogás, cavacos, briquetes, carvão vegetal, etc promovem o efeito refrigerador, o contrario do efeito estufa - resultado de 200 anos de emporcalhamento atmosférico provocado pelo uso dos combustíveis fosseis, incluso o gás natural que é igualmente sujo fóssil e aumenta a concentração de carbono na atmosfera, em 85% comparado à gasolina.
O carvão vegetal deve ser produzido com recuperação e uso dos gases pirolenhosos.

A desprezada bioenergia acaba com as falácias do tipo: hidrogênio, células combustíveis e outras asneiras insustentáveis, promovendo a agricultura orgânica familiar, incluindo benefícios maiores e muito mais rápidos do que o protocolo de Kioto, com seu bobo comércio de carbono, onde uma tonelada de limpo carbono vegetal virtual é negociatada a apenas 5 dólares e incentiva o uso de sujo carbono fóssil a 500 dólares por tonelada, com diplomas ambientais mentirosos.

Nosso exemplar Proálcool é o maior programa mundial existente de energias renováveis.
Infelizmente não se produzem mais os exclusivos e cada vez mais eficientes motores a álcool, sendo os atuais flex mais beberrões e ineficientes.

As bioenergias promovem o uso da cogeração distribuída através da ENEREDE, com, no mínimo, o dobro de rendimento em relação às ineficientes termoelétricas.

 

Canola, ou Colza

Carro a óleo vegeal

Dendê, ou Palma


Rio Negro - PR - 01/10/2003 

PROPOSTA DE PROJETO DE LEI 


Regulamenta o uso do óleo vegetal como combustível de veículo automotivo no Brasil.
O Congresso Nacional decreta:
Art.1º - Fica instituído o uso de óleo vegetal em motores para veículos automotivos.
Art.2º - A operacionalização do disposto nesta lei é de responsabilidade do Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT.
Art.3º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICATIVA

A ciência e a história demonstraram que a economia deve harmonizar-se com o ambiente que a rodeia: os recursos naturais, se extintos ou rareados, fulminam a ordem econômica. O momento atual impõe o desenvolvimento sustentável da economia. Assim, nossa Constituição Federal dedica um capítulo inteiro à tutela do meio ambiente, considerando-o como bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo, em seu artigo 225, ao Poder Público e ao cidadão o dever de preservá-lo e defendê-lo, para as presentes e futuras gerações. 
A concentração das reservas de petróleo (65%) no Oriente Médio, a majoração no preço de seus derivados e o impacto ambiental por esses causados, aumentando a concentração de gás carbônico na atmosfera, ratificam a necessidade de busca de substituição, total ou parcial, dos poluentes combustíveis fósseis. 
Surgiu, assim, o BIODIESEL, uma espécie de combustível obtido a partir de misturas, em diferentes proporções, de Diesel e éster de óleos vegetais e álcool. Através da Portaria MCT nº 702, de 30/10/2002, o Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia instituiu o Programa Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico de Biodiesel - PROBIODIESEL, para promover o desenvolvimento científico e tecnológico de produção e uso do biodiesel. Na primeira fase, até o final de 2003, serão testados éster etílico de soja e etanol, e éster metílico de soja. Na fase II, até 2005, serão desenvolvidas as cadeias produtivas do BIODIESEL produzido a partir de outros óleos vegetais e/ou óleos residuais. 
As vantagens do emprego de puro óleo vegetal são as seguintes:
- Apresenta possibilidade de total independência dos derivados de petróleo. 
- Não requer investimentos a longo prazo, em especial, com equipamentos;
- Apresenta imediato retorno do capital empregado e incentivo à produção de sementes oleaginosas, à agroindústria e aos demais segmentos da economia.
O Brasil precisa, com urgência, viabilizar a extinção da dependência de produtos derivados de petróleo. E cessar a importação do óleo diesel, que onera nossos cofres. Afinal, ele ocupa o segundo lugar na produção mundial de soja. Pode efetuar, de imediato, produção em larga escala, do óleo vegetal combustível. E, desta forma, continuar e aumentar a liderança mundial em produção de biocombustíveis.
Há necessidade de redução dos agentes poluidores da atmosfera e há a possibilidade de o Brasil tornar-se exportador de tecnologia e de produtos com maior valor agregado.
Embora poucos saibam, o primeiro motor de Rudolf Diesel não foi a Diesel. Durante a Exposição Mundial de Paris, em 1900, utilizou óleo de amendoim (ou seja, óleo vegetal) para demonstração de seu novo motor com ignição por compressão, afirmando que "O motor a diesel pode ser alimentado com óleos vegetais e ajudar o desenvolvimento dos países que o utilizem". 
O Brasil, desde a década de 70, através do INT, do IPT e da CEPLAC desenvolve projetos de óleos vegetais como combustíveis DENDIESEL, por exemplo. 
Infelizmente, a Petrobras ainda não percebeu a magnitude do programa das bioenergias. Aliás, poucos têm ciência que consumir combustíveis vegetais é sinônimo de limpeza do ar, é saldo negativo de carbono na atmosfera. E esse tema tem que ser melhor explorado e divulgado. Todos sabemos que os vegetais são compostos de carbono retirado da atmosfera, através da fotossíntese. Usando biocombustíveis, sempre haverá maior absorção, fixação e consumo de carbono atmosférico do que o carbono devolvido ao ar na utilização dos biocombustiveis. Disso resulta que todos os biocombustíveis são atmosfera limpantes.
Ninguém considera o ciclo completo: analisa-se, apenas, os produtos que saem do escapamento. Não há análise do produto que entra, de onde vem o carbono e o balanço das energias. Por isso, o hipotético hidrogênio tem absurda propaganda e investimentos! 
O Brasil exporta carros com modernos motores a Diesel, que aqui são proibidos, devido aos subsídios reinantes. 
Enquanto o limpante carro a álcool possue sonda lambda (medidora da quantidade de oxigênio na exaustão), controlador microprocessado e catalizador, os veículos a Diesel ainda os dispensam. Isso precisa ser também instituído junto a institutos de pesquisa e desenvolvimento nacionais, de motores específicos a puro óleo vegetal, com rendimentos ainda maiores.
Vantagens adicionais imediatas dos automóveis movidos a óleo vegetal:
- extinção total da dependência dos produtos derivados de petróleo;
- efeito direto no seqüestro do carbono pois, no ciclo completo, existe mais absorção de carbono do que emissão;
- efeito estufa ao contrário, ou seja, efeito geladeira;
- maior autonomia e economia: um carro pequeno faz mais do que 20 km com apenas 1 litro de óleo vegetal, devido à elevada taxa de compressão de 20:1;
- fomento de trabalho e renda, inclusão social e reversão do êxodo rural: as culturas vegetais de oleaginosas (soja, dendê, babaçu, mamona...) requerem mão-de-obra e incremento da economia no campo através de milhares de micro-indústrias distribuídas;
- maior praticidade e rendimento: confeccionar óleo vegetal é simples, basta espremer os grãos das sementes oleaginosas;
- reversão da balança comercial: O Brasil passará, de importador de combustível a exportador de atmosfera-limpantes biocombustíveis. Ao invés de exportação de soja a preços baixos, exportará produtos manufaturados: farelo de soja, hambúrguer... com valores agregados bem superiores;
- aumento do comércio internacional de carbono através do MDL, estatuído pelo Protocolo de Kioto;
- desenvolvimento da agricultura, da indústria, dos centros de pesquisa, do comércio, das escolas... Inclusive a combatida soja transgênica poderá ser usada. 
Por fim, deverá haver regras que incentivem a viabilidade econômica imediata do óleo vegetal como combustível. E, em decorrência, alteração das normas do DETRAN, através das justificativas de proteção ao meio ambiente, para que passem a circular os automóveis atmosfera-limpantes, movidos a óleo vegetal. E incluir, no processo de divulgação, a participação da indústria automobilística, fabricantes de autopeças, produtores de lubrificantes e combustíveis, indústria de óleos vegetais e institutos de pesquisa.

 

Thomas Renatus Fendel

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